Uma garota tem que se mudar para a casa do pai, com quem não mantém muito contato, após a mãe se casar novamente e cair na estrada. na nova cidadezinha, não demora a fazer amizades, mas nutre um interesse constante por um garoto misterioso, que faz parte de um grupinho mais fechado da escola. O interesse é correspondido, mas nem todos aprovam esta relação. Até aqui não passa de mais um romance teen igual a tantos outros que já assistimos, não fosse pelo fato de o rapaz em questão ser um vampiro.
Não é de hoje que os vampiros fascinam as pessoas com suas lendas obscuras e a maldição de beber sangue pela eternidade. Afinal, várias foram as histórias transportadas para a tela sobre eles e alguns chegaram a se tornar séries de TV. Mas não consigo entender o que há por trás do sucesso estrondoso de Crepúsculo (o filme já faturou tanto dinheiro que garantiu a continuação, que tem previsão para o final deste ano ou início do ano que vem).
O longa dirigido por Catherine Hardwicke (Aos treze e Os Reis de Dogtown) é baseado no best seller de Stephenie Meyer. São quatro livros (o último ainda não lançado no Brasil) que narram as dificuldades do romance quase impossível da mortal Isabella Swan (interpretada por Kristen Stewart) e o vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson). Impossível porque, por mais que os vampiros da família Cullen tenham aprendido a sobreviver do sangue de animais, a jovem Bella apetece, em muito, a Edward. Mas nada que o amor não possa superar.

Não poderei entrar nos detalhes da adaptação, porque não li nenhum dos livros. Mas fiquei surpresa quando uma prima me disse não poder esperar para conferir o filme, já que era profundamente apaixonada pelos livros, chegando a se debulhar em lágrimas em algumas cenas. Melodramas a parte, na tela parece que escalar um garoto muito bonito, com rosto sofisticado e olhar penetrante é o suficiente. Junte isso com uma protagonista meio sonsa está feito o sucesso (falando em protagonista sonso, sabia que já tinha visto essa garota em outro lugar. Kristen Stewart é a filha diabética de Jodie Foster em O quarto do pânico).
Na verdade o que mais me incomodou foram as tentativas de modernizar os vampiros. Não que haja um manual a ser seguido, mas uma “família” de sugadores de sangue viver em uma cidade que está sempre nublada porque quando se expõe ao sol a sua pele reluz como diamante é um pouquinho demais. De qualquer forma, ao observar os inúmeros suspiros na saída do cinema (e não vou negar, um deve ter sido meu), vejo que Crepúsculo cumpre a sua função: fazer os espectadores desejarem que as criaturas da tela fossem reais para que pudessem ter um romance desses.
