Arquivo para a categoria 'A voz do cinéfilo'

22
jun
09

Crepúsculo

crepusculoUma garota tem que se mudar para a casa do pai, com quem não mantém muito contato, após a mãe se casar novamente e cair na estrada. na nova cidadezinha, não demora a fazer amizades, mas nutre um interesse constante por um garoto misterioso, que faz parte de um grupinho mais fechado da escola. O interesse é correspondido, mas nem todos aprovam esta relação. Até aqui não passa de mais um romance teen igual a tantos outros que já assistimos, não fosse pelo fato de o rapaz em questão ser um vampiro.

Não é de hoje que os vampiros fascinam as pessoas com suas lendas obscuras e a maldição de beber sangue pela eternidade. Afinal, várias foram as histórias transportadas para a tela sobre eles e alguns chegaram a se tornar séries de TV. Mas não consigo entender o que há por trás do sucesso estrondoso de Crepúsculo (o filme já faturou tanto dinheiro que garantiu a continuação, que tem previsão para o final deste ano ou início do ano que vem).

O longa dirigido por Catherine Hardwicke (Aos treze e Os Reis de Dogtown) é baseado no best seller de Stephenie Meyer. São quatro livros (o último ainda não lançado no Brasil) que narram as dificuldades do romance quase impossível da mortal Isabella Swan (interpretada por Kristen Stewart) e o vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson). Impossível porque, por mais que os vampiros da família Cullen tenham aprendido a sobreviver do sangue de animais, a jovem Bella apetece, em muito, a Edward. Mas nada que o amor não possa superar.

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Não poderei entrar nos detalhes da adaptação, porque não li nenhum dos livros. Mas fiquei surpresa quando uma prima me disse não poder esperar para conferir o filme, já que era profundamente apaixonada pelos livros, chegando a se debulhar em lágrimas em algumas cenas. Melodramas a parte, na tela parece que escalar um garoto muito bonito, com rosto sofisticado e olhar penetrante é o suficiente. Junte isso com uma protagonista meio sonsa está feito o sucesso (falando em protagonista sonso, sabia que já tinha visto essa garota em outro lugar. Kristen Stewart é a filha diabética de Jodie Foster em O quarto do pânico).

 Na verdade o que mais me incomodou foram as tentativas de modernizar os vampiros. Não que haja um manual a ser seguido, mas uma “família” de sugadores de sangue viver em uma cidade que está sempre nublada porque quando se expõe ao sol a sua pele reluz como diamante é um pouquinho demais. De qualquer forma, ao observar os inúmeros suspiros na saída do cinema (e não vou negar, um deve ter sido meu), vejo que Crepúsculo cumpre a sua função: fazer os espectadores desejarem que as criaturas da tela fossem reais para que pudessem ter um romance desses. 

10
jun
09

O Curioso Caso de Benjamin Button

benjamimMark Twain uma vez disse que a vida seria infinitamente melhor se nascêssemos aos 80 e morrêssemos aos 18. Ele apenas esqueceu de nos contar as angústias e dificuldades que teríamos de enfrentar neste trajeto.
O filme O curioso caso de Benjamin Button de David Fincher (Seven e O clube da luta) relata este mesmo pensamento. Baseado em um conto de F. Scott Fitzgerald, mostra a vida de um homem que nasceu velho, com todos os sintomas de doenças de uma pessoa velha, e que rejuvenesce conforme os anos vão passando. Logo no início percebemos que a história de Benjamin (Brad Pitt) será contada através do seu diário, em posse de Daisy (Cate Blanchett), já em seu leito de morte. Ao ver essa senhora sofrendo tanto em sua cama de hospital, já podemos pensar em como é triste apenas esperar pela morte em um estado tão debilitado. Isso nos leva a refletimos em como seria bom poder passar por essa etapa ainda jovem. No caso de Benjamin, ele foi abandonado pelo pai, após sua mãe morrer no seu parto, na porta de um asilo. Lá, o bebê todo enrugado e quase cego pela catarata é acolhido pela empregada, crescendo em meio aos velhinhos que ali moravam. Ele é apenas um velho pequeno aos olhos de muitos, até que conhece a pequena Daisy, que vê nele nada além de um garoto.
Mas o fato de Benjamin ficar com a aparência mais jovem com o passar do tempo o obriga a ver todos os seus amigos e pessoas queridas a partirem. Como Cate Blanchette disse em uma entrevista “o grande serial killer deste filme é o tempo, que eventualmente vai nos pegar a todos”. Talvez as lições de amor, de apego e carinho soasse um tanto piegas nas mãos de outro diretor. Mas Fincher soube nos transportar de maneira poética para esta história extraordinária. Talvez o tom de perda seja tratado de maneira tão delicada e emotiva pela própria experiência do diretor, que perdeu seu pai pouco antes de fazer o filme.
As atuações são muito boas. Principalmente de Brad Pitt, que é muito melhor como uma velha criança que como um velho jovem. A cada passagem de tempo da vida de Benjamin a câmera dá um longo close em seu rosto, para que possamos perceber as sutis (ou nem tanto) modificações que seu corpo está sofrendo. Muito merecidas todas as 13 indicações que o filme recebeu ao Oscar deste ano, mas acabou levando apenas prêmios técnicos, como Melhor Maquiagem, Efeito Especiais e Direção de Arte. Mas acredito que gostei tanto do filme mais por não esperar absolutamente nada dele. E é assim que muitas vezes devemos apreciar nossas idas ao cinema, despidos de conceitos e nos deixar envolver pela história que nos está sendo contada. Sensível, emotivo, que talvez tenha errado um pouco a mão no final, mas não chega a prejudicar a lembrança do filme. Destaque para a participação de Tilda Swinton e para o capitão do cargueiro que Benjamin trabalha.
Por Carol Souza



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