Mark Twain uma vez disse que a vida seria infinitamente melhor se nascêssemos aos 80 e morrêssemos aos 18. Ele apenas esqueceu de nos contar as angústias e dificuldades que teríamos de enfrentar neste trajeto.
O filme O curioso caso de Benjamin Button de David Fincher (Seven e O clube da luta) relata este mesmo pensamento. Baseado em um conto de F. Scott Fitzgerald, mostra a vida de um homem que nasceu velho, com todos os sintomas de doenças de uma pessoa velha, e que rejuvenesce conforme os anos vão passando. Logo no início percebemos que a história de Benjamin (Brad Pitt) será contada através do seu diário, em posse de Daisy (Cate Blanchett), já em seu leito de morte. Ao ver essa senhora sofrendo tanto em sua cama de hospital, já podemos pensar em como é triste apenas esperar pela morte em um estado tão debilitado. Isso nos leva a refletimos em como seria bom poder passar por essa etapa ainda jovem. No caso de Benjamin, ele foi abandonado pelo pai, após sua mãe morrer no seu parto, na porta de um asilo. Lá, o bebê todo enrugado e quase cego pela catarata é acolhido pela empregada, crescendo em meio aos velhinhos que ali moravam. Ele é apenas um velho pequeno aos olhos de muitos, até que conhece a pequena Daisy, que vê nele nada além de um garoto.
Mas o fato de Benjamin ficar com a aparência mais jovem com o passar do tempo o obriga a ver todos os seus amigos e pessoas queridas a partirem. Como Cate Blanchette disse em uma entrevista “o grande serial killer deste filme é o tempo, que eventualmente vai nos pegar a todos”. Talvez as lições de amor, de apego e carinho soasse um tanto piegas nas mãos de outro diretor. Mas Fincher soube nos transportar de maneira poética para esta história extraordinária. Talvez o tom de perda seja tratado de maneira tão delicada e emotiva pela própria experiência do diretor, que perdeu seu pai pouco antes de fazer o filme.
As atuações são muito boas. Principalmente de Brad Pitt, que é muito melhor como uma velha criança que como um velho jovem. A cada passagem de tempo da vida de Benjamin a câmera dá um longo close em seu rosto, para que possamos perceber as sutis (ou nem tanto) modificações que seu corpo está sofrendo. Muito merecidas todas as 13 indicações que o filme recebeu ao Oscar deste ano, mas acabou levando apenas prêmios técnicos, como Melhor Maquiagem, Efeito Especiais e Direção de Arte. Mas acredito que gostei tanto do filme mais por não esperar absolutamente nada dele. E é assim que muitas vezes devemos apreciar nossas idas ao cinema, despidos de conceitos e nos deixar envolver pela história que nos está sendo contada. Sensível, emotivo, que talvez tenha errado um pouco a mão no final, mas não chega a prejudicar a lembrança do filme. Destaque para a participação de Tilda Swinton e para o capitão do cargueiro que Benjamin trabalha.
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